Na inauguração da estrada de ferro Munguba/São Miguel, Ludwig veio pela primeira vez direto dos EUA até Monte Dourado, trazendo vários amigos, os quais na maioria deviam ter sua idade, sendo que o avião pertencia a um dos amigos. Nesta ocasião foi equipado um vagão do trem com bancos para que, além dos convidados estrangeiros, várias famílias de Monte Dourado com crianças, participassem da viagem de aproximadamente cinqüenta quilômetro.
Naquela época Ludwig estava entre os quatro homens mais ricos do planeta. Deveria andar com grande aparato de segurança pessoal, mas isso não acontecia, pelo menos em Monte Dourado e mesmo no percurso Estados Unidos/Brasil. Certa vez, de volta de uma viagem a serviço nos E.U.A, o autor e Luiz Grantham, seu (meu chefe imediato), encontrou Ludwig no aeroporto de Miami. Primeiramente ele não os viu e sumiu nos enormes corredores do aeroporto. Grantham observou que ele deveria estar vindo para o Brasil. Dada a chamada do embarque, dirigiram-se para o avião da VARIG. Depois de alguns instantes, já dentro do avião, foi anunciado um problema no aparelho; deveriam retornar ao saguão do aeroporto e esperar nova chamada. Foi já de retorno que cruzaramo com Ludwig, que era o último passageiro a embarcar. Imediatamente ele os reconheceu e Grantham informou-o do problema do avião. Ficaramo então por duas horas sentados em um banco, tendo ele ao centro, quando ocorreu disfarçadamente observar no meio da multidão se existia alguém com indícios de ser seu segurança. Nada, nada mesmo, e ali entre eles estava talvez o homem mais rico do planeta. De repente visualizou no box da VARIG um rapaz alto, atlético, que de braços cruzados olhava fixamente para onde estavam. No espaço de tempo em que noteu o sujeito até o momento da nova chamada para embarque, não teve dúvida de que Ludwig realmente andava com guarda pessoal. Porém, no momento do embarque o rapaz aproximou-se de deles e Ludwig agradeceu-lhe os serviços. Era um cicerone da VARIG.
Na realidade Ludwig tinha verdadeira ojeriza a publicidade, e por isso podia passar despercebido pelos locais por onde andava. Neste episódio o autor poderia ter sido fotografado junto a ele em situação bem peculiar, pois até a entrada do avião Ludwig apoiou o braço no seu ombro, talvez por termos quase a mesma altura, enquanto não podia apoiar-se em Grantham, que era bem mais alto. Ludwig tinha planos de produzir celulose em grande escala, prevendo a escassez do produto a partir da década de oitenta. Certa vez Loren McIntyre o entrevistou em sua residência nos EUA (tendo também entrevistado várias pessoas na Jari, inclusive o autor, em reportagem publicada na revista NATIONAL GEOGRAPHIC em maio de 1980, vol, 157/nº 5, sob o título “Jari: A Billion Dollar Gamble”), quando Ludwig lhe disse que sempre pensou em plantar árvores enfileiradas como o milho.
Ludwig tinha planos também de produzir na Jari grandes quantidades de alimentos e com este objetivo foram montados inúmeros experimentos, indo da fruticultura à pecuária e mesmo culturas de subsistência, como milho, mandioca, arroz, etc.
Por ocasião da compra da Jari, o engenheiro agrônomo panamenho Juan Ferrer, pessoa de confiança de Ludwig, responsável pela compra e implantação de vários plantios de fruticultura na América Central, veio verificar a potencialidade dos solos da Jari. Ferrer percorreu várias áreas da Jari a pé ou em lombo de burro, mas sua meta era a região da Nova Vila, onde os solos eram muito férteis. Weimar Uchoa acompanhou Ferrer nesta avaliação dos solos, quando foram coletadas várias amostras. De antemão Ferrer observou a Weimar que os solos de Nova Vila eram realmente de primeira qualidade e portanto aptos para os planos que Ludwig pretendia implantar, que logo tiveram seu parecer favorável.
Falando ainda de Ferrer, os americanos que trabalhavam na Jari o temiam, pois suas opiniões eram ouvidas por Ludwig. Ferrer foi o coordenador do projeto de Ludwig e Antunes, em Minas Gerais, no município de Felixlândia, de plantio da mandioca para extração de álcool. Neste local Ferrer veio a falecer, acometido de enfarte agudo quando fiscalizava as plantações de mandioca. Ludwig deu todo o apoio à viúva de Ferrer, inclusive fretando um avião para transladar o corpo de Ferrer para o Panamá, seu país de origem.
Na primeira vez que Ludwig veio à Jari, utilizou avião fretado da companhia KOVACS, prefixo PT-MGA, que comandado por Virgílio Arantes de Melo pousou na pista que hoje é a rua 90, da Vila Staff. Era um bimotor CESSNA 320 Turbo Charge que ficou fretado pela Jari pelo período de seis meses. Nesta primeira ocasião Ludwig trouxe consigo mais quatro pessoas. A atual pista só foi construída após a necessidade de operar com aviões de maior porte, no caso os DC-3.
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